Saúde Gaúcha
Informação para gestores e profissionais de saúde.

- Publicidade -

- Publicidade -

Mais setor privado e fechamento de hospitais pequenos seriam benéficos na saúde, segundo BIRD

0

Relatório do Banco Mundial defende mais presença do setor privado na saúde brasileira e o aumento de gastos com a atenção primária de saúde, com redução de recursos para os serviços de média e alta complexidade. O relatório do banco sobre o SUS, o Sistema Único de Saúde, foi apresentado em audiência pública (4/4) na Comissão de Seguridade Social da Câmara pela economista sênior da instituição Edson Araújo.

>> Para Banco Mundial, SUS não é sustentável; universalidade seria o problema

Parte do Sistema das Nações Unidas, o Banco Mundial faz empréstimos a países em desenvolvimento. Uma das propostas da instituição é que os médicos da família cheguem a 100% da população. Segundo o representante do banco, quanto mais eficiente é a atenção primária, mais eficiente é o sistema como um tudo, já que são evitadas internações.

>> Com novo status, Atenção Primária será o eixo central na política de saúde do país

Mais polêmica, segundo o próprio representante do Banco Mundial, é a proposta de fechar hospitais pequenos em municípios, para aumentar a oferta de serviços hospitalares em grande escala. Conforme Edson Araújo, os hospitais pequenos são ineficientes, e neles a qualidade é menor.

“O Brasil tem muito hospital pequeno. 80% dos hospitais brasileiros têm até 100 leitos e 55% têm até 50 leitos. São os hospitais de pequeno porte. E tem dois problemas nesses hospitais: o primeiro problema é que esses hospitais são altamente ineficientes, porque eles têm baixa taxa de ocupação e alta taxa de mortalidade hospitalar. E a segunda é que as pessoas morrem mais nesses hospitais.”

Edson Araújo destacou que, mantido o mesmo padrão de gastos do Brasil com saúde, mais eficiência na gestão poderia resultar em ganhos de 898 bilhões de reais até 2030. Outra proposta do Banco Mundial é expandir a provisão privada de serviços de saúde, por meio de Organizações Sociais, as OSS. Para ele, esses hospitais têm melhor desempenho, produtividade e qualidade do que os hospitais com gestores públicos.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, concorda com o relatório do Banco Mundial, que, segundo ele, está sendo guia para o governo brasileiro. Ele concorda, por exemplo, com a expansão do modelo de hospitais geridos por organizações sociais.

Porém, para o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Mauro Junqueira, o problema principal do sistema de saúde brasileiro não é a gestão, mas o subfinanciamento.

“O Brasil dá hoje dois orçamentos do Ministério da Saúde em renúncia fiscal. Enquanto o orçamento do Ministério da Saúde é de 128 bilhões por ano, nós abrimos mão de 300 bilhões por ano em renúncia fiscal, em fabricação de motocicletas, em linha branca, em caminhões, renúncia de imposto de renda. Então, o Brasil precisa discutir isso, trazer isso para a pauta.”

Também gerou debate na audiência a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro. O relatório do Banco Mundial aponta que o SUS tem problema de sustentabilidade, por conta do crescimento dos gastos de saúde acima do crescimento do PIB, Produto Interno Bruto. Essa visão foi apoiada por Carlos Augusto Ferraz, representante do Tribunal de Contas da União,

Para alguns deputados como o ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros, do PP do Paraná, que pediu a audiência, a capacidade de arrecadação do governo não sustenta um sistema de saúde universal e integral. Também ex-ministro da Saúde, o deputado Alexandre Padilha, do PT de São Paulo, acredita que o esforço do governo deve ser de ampliar o acesso aos serviços de saúde, e não de economizar na saúde e direcionar recursos para outros setores.

Fonte: Câmara dos Deputados, por Lara Haje (texto)

Leia também:

Envie um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.