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Porto Alegre usa novas tecnologias no combate à tuberculose; Capital é a 4ª com maior número de casos no país

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A tuberculose é a doença infecciosa com maior mortalidade no mundo, sendo um grave problema de saúde pública. No Brasil, Porto Alegre é a quarta capital com o maior coeficiente de incidência da doença (81,7/100 mil habitantes). Em 2018, foram 1.373 novos casos, com taxa de cura de 56% e taxa de abandono de 24%. Para melhorar esse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) elaborou o Plano Municipal de Enfrentamento da Tuberculose, apresentado nesta sexta-feira, 8, no auditório do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

O prefeito Nelson Marchezan Júnior destaca a importância de trabalhar em parceria com a sociedade e agradeceu o apoio do Cremers na divulgação do plano de enfrentamento da tuberculose. “O desafio de Porto Alegre é unir forças para que possamos olhar a cidade, que é uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. Esse plano é o exemplo de um grande esforço, de trabalho articulado”, afirma o prefeito.

O representante da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Combate à Tuberculose, Stefano Barbosa Codenotti, falou que o plano nacional, lançado em 2017, não veio para resolver o problema, mas pretende estimular que os municípios planejem estratégias para conseguir atender as pessoas com a doença, para que terminem o tratamento. “Porto Alegre é uma das principais capitais do ponto de vista epidemiológico. Se a experiência der certo aqui, pode ser exemplo a outras capitais brasileiras”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde, Pablo Stürmer, agradeceu a presença e a parceria de todos na estratégia de combate à doença. “Nosso desafio é encontrar soluções para velhos problemas, interligar informações, usar ferramentas de inovação para possibilitar que a rede de saúde possa acompanhar de perto os pacientes”, considera, destacando a importância de mapear os problemas para apontar soluções.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Trindade, a luta contra tuberculose é de toda a classe médica. “Parabéns a essa grande equipe da Saúde montada pelo prefeito Marchezan”, diz.

Enfrentamento – A coordenadora de Telessaúde e Telemedicina da SMS, médica Juliana Nunes Pfeil, explicou que entre as principais estratégias para combater a doença estão telemonitoramento e transição de cuidado, ambas iniciados em agosto de 2018. Segundo ela, a meta é chegar a 79% de taxa de cura até 2020. O monitoramento começou como piloto na região Partenon-Lomba do Pinheiro, que tem a maior incidência de tuberculose na cidade, sendo concluído em dezembro nas outras sete regiões de saúde (Leste-Nordeste, Restinga, Centro, Sul-Centro Sul, Norte-Eixo Baltazar, Noroeste-Humaitá/Navegantes-Ilhas, Glória-Cruzeiro-Cristal).

“As ações incluem formas de acesso eletrônico por e-mail, telefone e WhatsApp, como referência para médicos e demais profissionais da rede municipal de saúde que atenderem pacientes com suspeita ou diagnóstico de tuberculose”, informou Juliana. Também serão utilizados na transição de cuidado e encaminhamento à instituição de referência, no sentido de dar continuidade ao tratamento. “O telemonitoramento prevê contato direto com pacientes em tratamento e com as unidades de saúde”, completou. Além disso, há monitoramento integrado de todos os sistemas informatizados que contêm dados das pessoas com suspeita ou diagnóstico de tuberculose.

Outras ações incluem melhora no diagnóstico a partir de iniciativas como: disponibilizar o exame de baciloscopia em todas as unidades de saúde e nos Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD); facilitar o acesso ao tratamento: hoje, o paciente pode retirar o medicamento onde achar mais conveniente e não necessariamente em sua unidade de referência; e capacitar médicos da rede que são referência para a discussão de casos e implantação da vacina BCG nas maternidades.

O Plano Municipal de Enfrentamento da Tuberculose é apoiado pelo Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), que tem auxiliado na divulgação dos contatos da SMS para os médicos, facilitando a transição de cuidados dos pacientes e sua vinculação em uma unidade para tratamento. Também participaram do lançamento representantes de instituições hospitalares, os vereadores Moisés Barboza, Dr. Goulart, entre outras autoridades, profissionais da Atenção Primária, Atenção Hospitalar, Coordenação de Urgências, Vigilância em Saúde, médicos e enfermeiros.

Tuberculose – Na lista das cinco capitais com maiores incidências da doença estão Manaus (104,7 casos por 100 mil habitantes), Rio de Janeiro (88,5 casos), Recife (85,5 casos) e Belém (64,9 casos), além de Porto Alegre, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O Rio Grande do Sul é o Estado com maior quantidade de retratamentos da doença.

Uma das principais dificuldades no combate à doença é o abandono do tratamento, com uma taxa de 24% dos casos na Capital. Normalmente, o processo dura seis meses, mas pode se estender a um ano ou mais, conforme a multirresistência que o bacilo adquire após a interrupção. Alimentação desregrada e exposição a intempéries do clima e ambientes insalubres facilitam o contágio, por isso, a SMS tem trabalhado para ampliar, capacitar e intensificar o atendimento aos pacientes, sendo que as unidades de saúde oferecem tanto teste quanto tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Causada por uma bactéria (Bacilo de Koch) que ataca principalmente os pulmões – mas pode ocorrer em outras partes do corpo –, a doença é transmitida pelo ar. Tosse por mais de duas semanas, associada a um ou mais sintomas – transpiração excessiva à noite, cansaço, falta de apetite, emagrecimento e febre – pode configurar a doença. Nesse caso, a orientação é procurar a unidade de saúde para fazer o exame e, em caso positivo, iniciar o tratamento imediatamente.

O principal exame é a baciloscopia, que possibilita a análise direta da secreção excretada pelos pulmões. O tratamento consiste em medicação de uso regular, todos os dias, no mesmo horário, durante seis meses, no mínimo. Em caso de interrupção antes do previsto, a pessoa pode ter recidiva e desenvolver uma tuberculose resistente aos medicamentos do esquema básico. A tuberculose tem cura, desde que o tratamento tenha continuidade até o final.

O perfil epidemiológico da doença mostra que ela atinge predominantemente pessoas com baixa escolaridade, em sua maioria homens em idade produtiva. Entre os públicos de maior vulnerabilidade estão população em situação de rua, portadores de HIV/Aids, indígenas, população prisional e egressos e dependentes químicos.

Fonte: Prefeitura de Porto Alegre

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